Quiz: excertos de música 02 (Resolvido)

Pista: é de uma sinfonia menos conhecida.

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O excerto pertence ao primeiro andamento da sexta sinfonia de Mahler. Apesar de ser menos conhecida do que a 9ª, a 5ª, a 1ª, a 4ª, a 2ª e talvez até a 8ª, é uma sinfonia muito equilibrada e completa, bem ao gosto do compositor e do P.Z. É pena que não seja mais tocada.

Eis uma performance interessante dirigida por Maazel. (Abbado tem uma extraordinária.)

Quiz: excertos de música 01 (Resolvido)

Instrução: o Plácido Zacarias dá uns segundos de um excerto de música que não lhe sai da cabeça e o leitor tenta adivinhar de onde é que o excerto foi retirado, comentando. Passados uns tempos, o P.Z. divulga a resposta certa, a relação com a pista que deu, e os leitores que acertaram.

Pista: Hayworth.

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Este excerto pertence, como disse acertadamente o Paulo, à "dança dos sete véus" da Salome de Strauss. É uma peça de música extraordinária, que apresenta uma orquestração colorida, sensual, e, tal como se diria no tempo da sua estreia, "exótica". De tempos a tempos, este pedaço da música surge, esporadicamente, no meu pensamento e, se eu fôsse maestro, salientaria sempre a harpa, no fim.
No célebre filme homónimo protagonizado por Rita Hayworth em 1953, a actriz também dança, mas com outra música, a "dança dos sete véus".

Encontra-se aqui uma versão que vale, sobretudo, pela encenação inconvencional.

Debate Aberto | Intervalos na Ópera

Findo o período da temporada 2010-2011, inicia-se agora neste blog uma série de actividades dinamizadoras, contando com debates e com quizzes. Para já, fica um debate sobre intervalos.

Um intervalo na Opéra-Bastille. Os espectadores aproveitam para ir ao bar.
Um dos assuntos que tem de se ter em atenção quando se faz uma nova produção de uma ópera são os intervalos. Por um lado, os intervalos são, tradicionalmente, momentos de convívio e de socialização, em que as pessoas aproveitam para se passearem e fazerem algum turismo pelos teatros – podendo-se aproveitar para esticar as pernas e rodar o pescoço à vontade. Por outro lado, alguns revolucionários defendem que a ópera dever ser vista apenas como art for art's sake e, por isso, tal como num andamento intermédio de sinfonia, não se deve interromper; ou devem agrupar-se os actos de forma metafórica (uau!).

Um intervalo em S. Carlos, nos anos 50'. (No bar.)
Existem também outros casos, em que a música é de tal intensidade e coesão, que seria impossível interromper a corrente para introduzir intervalos em óperas de duas horas e meia como Das Rheingold (Wagner) ou Capriccio (Strauss). Eu, por exemplo, sendo apreciador desse repertório, não consigo deixar de me cansar a meio, num ponto em que a minha atenção seja menor do que a dor de pescoço. 

Um intervalo em S. Carlos nos anos 50'.
Nesta Carmen que passou em S. Carlos, quem é que não sentiu necessidade de um intervalo após o primeiro acto (cuja encenação era uma seca de morte), ou notou que o intervalo antes do quarto acto pareceu desnecessário? E seria pertinente perguntar quem é que não apanhou um valente torcicolo a meio do primeiro acto do Crepúsculo dos Deuses da penúltima temporada?

Em suma, a questões que se põem são: quando é que deve haver intervalos? Há excepções? Qual é a duração ideal de um intervalo?

O público de S. Carlos aplaude a passagem de Callas por um corredor. (Traviata de 1958.)

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Festival ao Largo 2011 | «1001 noites»

Estreou anteontem a série de concertos do Festival ao Largo deste ano. Desde há uns anos que esta série de concertos se tem realizado, recorrendo sobretudo a parcerias entre orquestras lisboetas e artistas residentes no TNSC. Como não são espectáculos pagos, justifica-se a qualidade duvidosa! Pelo que ouvi dizer, "cabem" cerca de 2000 pessoas, que podem simplesmente chegar ao Largo de S. Carlos e assistir, de pé ou sentadas (desde que cheguem com pelo menos uma hora de antecedência) aos espectáculos. A restante programação pode ser lida aqui.

Manda a tradição nacional que o palco seja pintado no próprio dia do espectáculo, de manhã...
Nesta primeira noite, o programa foi o seguinte:
Abertura d'A Flauta Mágica (Mozart)
Deh vieni non tardar (As Bodas de Fígaro, Mozart)
Canção à Lua (Rusalka, Dvorák)
Como in quest'ora bruna (Simão Bocanegra, Verdi)
Me voilà seule dans la nuit (Pescadores de Pérolas, Bizet)
Scherazade (Rimsky-Korsakov)
Todos os números foram dirigidos por Martin André e tocados pela orquestra da Gulbenkian, e as árias, cantadas pela soprano Susana Gaspar.

A direcção musical do director artístico do teatro continua sem ter nada de especial a salientar, sendo maioritariamente desinteressante, com a excepção da Rusalka. Na canção à Lua, o maestro salientou o som das trompetes (ou como se chamem esses instrumentos), obtendo um efeito invulgar e conferindo um grande exotismo à música.

Cheguei meia-hora antes e já não tinha onde me sentar!
Jorge Rodrigues -- o apresentador habitual -- disse que a soprano Susana Gaspar participou no último Gianni Schicchi. Será que foi a substituta de Laura Giordano? Se foi, apenas tenho a acrescentar que a voz belíssima que exibiu ontem com amplificação vocal não tem nada que ver com o que a cantora consegue projectar na sala. (Digo isto porque assisti a uma récita de Gianni Schicchi & Blue Monday em que a soprano anunciada foi substituída.)

E foi mais um concerto ao ar livre ao qual se juntaram, sempre que a orquestra tocava piano, o eléctrico com sua buzina metálica, e rumores de ambulâncias mais distantes. Agradável!